Devanagari

12/Outubro/2009

O devanagari (em sânscrito देवनागरी) é um sistema de escrita silábico desenvolvido com base no silabário brahmi. Tem sua origem por volta de XI d.C. e é utilizado, ainda hoje, na Índia e no Nepal.

O sentido da escrita é da esquerda para a direita. Possui, em quase todas as sílabas, uma linha horizontal superior chamada mantra. Quase todas as sílabas possuem uma “vogal inerente a”. Para formar as diferentes qualidades de vogais são acrescentados diacríticos, conforme exemplo abaixo:

Sílaba Ka:Ka

Para formar, por exemplo, as sílabas ki, ku, kā, kām, kī, etc, devemos adicionar diacríticos à sílaba ka, que perde a vogal inerente para tornar-se outra sílaba, conforme imagem abaixo:


(clique na imagem para ampliar)

O traço que aparece sobre as vogais a, i e u indica que elas são longas. O r e o l com a bolinha significam, em lingüistanês, que o som é retroflexo, como o som do “r caipira”. Tanto o “r caipira” quanto o “l retroflexo” eram considerados sons vocálicos na gramática sânscrita.


Sânscrito: A vogal “o” é ditongo?

10/Setembro/2008

Anteontem recebi um e-mail com este título: “A vogal “o” é ditongo?”

A dúvida do leitor se baseava nesta postagem na qual eu publiquei uma tabela que continha a declinação “dos ditongos -ai, -au e -odo sânscrito clássico. A dúvida é justa e a explicação é (ao meu ver) divertida. Vamos lá:

Há uma regra no sânscrito que diz que a união das vogais “a+u” gera a vogal “o”. Isto é, a língua sânscrita evitava a formação do ditongo “au” apagando o ditongo e colocando a vogal “o” que, na nossa maneira de ver, não é um ditongo. Mas na maneira de ver dos antigos gramáticos do sânscrito se a vogal “o” era o resultado do ditongo “au” ela só poderia ser, também, um ditongo. É por isso que você pode encontrar a sílaba primordial “ॐ” (aquela que aparece em todos os mantras) muitas vezes transcrita como “om” mas, algumas vezes, transcrita como “aum“.

É interessante notar que essa regra, descrita por Pāṇini – na Índia!!! – no século IV a.C foi aplicada na passagem do latim para o português; Exemplos dessa regra estão nas expressões touro e ouro que nós, atualmente, pronunciamos “tôro” e “ôro“, respectivamente. Vale lembrar que as formas latinas para estas palavras eram taurus e aurum e estão preservadas em adjetivos¹ como “taurino” e “tempos aureos” (isto é, de ouro)

Portanto do latim para o português temos o seguinte processo:

taurus > touro > “tôro”

aurum > ouro > “ôro”

paucus > pouco > “poco”

raucus > rouco > “rôco”

pauper > pobre

Na verdade, nem precisamos ir tão longe para verificar que este processo ainda se aplica em algumas palavras do português atual. Não é incomum ouvirmos a forma “otoridade” no lugar de “autoridade ou “restorante” no lugar de “restaurante”.

Portanto temos ainda hoje em português coisas como:

restaurante > restorante

autoridade > otoridade

É bacana ver que uma regra que foi descrita na Índia há mais de dois mil e quatrocentos anos ainda é aplicada na nossa língua. Ainda que para nós “o” não seja um ditongo!

——-

¹Ah, e o protetor auricular se coloca na orelha! =)

**Para as regras de eufonia vocálica (ou samdhi vocálico) do sânscrito, vale ler esta postagem.


Sânscrito: Quadro Sinóptico do Sistema Verbal

13/Agosto/2008

Pessoal,

Segue um trabalho que busca demonstrar os principais elementos da morfologia dos verbos regulares do Sânscrito. Há também alguns verbos irregulares (matar, fazer, ser/existir e ir) conjugados no presente, no imperfeito, no imperativo e no optativo.

O trabalho está no link ao lado, disponível para download em PDF: Morfologia Verbal

Agradecimentos sinceros à Clarissa Mariano que, além de ter tido a paciência de fazer este trabalho comigo, ainda permitiu sua publicação sem cobrar um centavo de direitos autorais!!! =)

Abraços,

Thiago


Sânscrito: Tradução: ATHA NALOPAKHYĀNAM

8/Julho/2008

Pessoal,

O trabalho final do curso de Sânscrito II consistiu na tradução de um trecho do “Episódio de Nala” do Mahabharata.

Segue em anexo (PDF) a tradução feita pela Clarissa Mariano e por mim.

Sinceros agradecimentos à Gabriela, ao Pedro, ao Gustavo e à Clarissa, por todas as discussões sobre a tradução.

Para baixar a tradução, clique aqui:Tradução

Para baixar o texto original em Sânscrito, clique aqui:Exercício

Abraços,

Thiago

**Há erros de tradução, viu? Mas, ainda com os erros, a tradução é digna de ser publicada! =)


Declinação do Sânscrito

24/Maio/2008

Cumprindo uma promessa antiga anexo seis páginas contendo as declinações dos temas vocálicos e consonânticos do sânscrito, além da declinação dos pronomes.

Basta clicar na imagem para que ela seja ampliada.

1-Declinação dos temas vocálicos:

(com gradação: -R, e sem gradação: -a, -i, -u, -aa, -ii, -uu e os ditongos -ai, -au e -o)

2-Declinação dos temas consonânticos sem gradação:

(nomes-raiz, temas em oclusivas, temas em -in, -as e -us)

3-Declinação dos pronomes:

3a – (pronomes pessoais: “eu” e “tu” e demonstrativos: “ele, este, esse”)

3b- (YAD: “o que, o qual, cujo” e o interrogativo KAS: “quem”)

(Nesta página tem também um resumo das funções fundamentais do nome na frase sânscrita)

4- Declinação dos temas consonânticos com gradação:

4a- (temas em -an e -ant)

4b – (temas em -vaams, -(i)yaamns, -(i)yas e -añc)

(Desculpem o colorido, meu scanner ficou meio maluco!)


Ligações entre o Russo e o Sânscrito

18/Maio/2008

Nesta minha postagem sobre o Samdhi Consonantal em Sânscrito um leitor propôs que eu fizesse uma comparação entre o Sânscrito e o Russo. Achei a idéia bacana tendo em vista as duas línguas serem indo-européias. Já comecei a fazer a comparação, baseado na “lista grande” de Swadesh (a com 207 lexemas). Como está trabalhoso e talvez eu demore um bocado, pedi autorização ao Erick Fiszuk para publicar a tradução feita por ele de um texto em esperanto comparando os dois idiomas.

Os eventuais interessados na comparação entre as duas línguas podem ir se divertindo com este texto. A minha lista saí um dia. Prometo! =)

O site do Erick é este aqui e tem, além do texto em português, a versão em esperanto baseada no original inglês.

Ligações entre o Sânscrito e o Russo

Se me perguntassem sobre duas línguas no mundo parecidas uma com a outra, eu responderia sem qualquer hesitação: “russo e sânscrito”. Isso não é porque algumas palavras de ambas as línguas se parecem, como também é o caso de muitas línguas que pertencem à mesma família. Por exemplo, palavras comuns são encontradas no latim, no alemão, no sânscrito, no persa e no russo, que são originados do grupo indo-europeu de línguas. É admirável que se pareçam a estrutura das palavras, o estilo e a sintaxe, também havendo relações mais próximas entre as regras gramaticais de nossas duas línguas — isso causa a séria atenção de todo o conhecedor de lingüística que deseje saber muito mais sobre as ligações próximas que apareceram já em um passado remoto entre os povos da URSS e da Índia.

Palavra universal

Pegue, por exemplo, a mais famosa palavra russa deste século: “sputnik”. Ela consiste de três partes: (a) o prefixo “s”, (b) o radical substantivo “put” e (c) o sufixo “nik”. A palavra russa “put” 1 é comum a muitas outras línguas da família indo-européia, nomeadamente a palavra inglesa “path” e a palavra sanscrítica “path”. E totalmente! A similaridade entre o russo e o sânscrito continua, até o último grau. A palavra sanscrítica “pathik” significa “pessoa que vem seguindo um caminho”, isto é, “viajante”. A língua russa pode formar também as palavras “putik” 2 e “putnik”. E a parte espantosa da história da palavra “sputnik” é que “sa” ou “s” deve ser adicionado como prefixo em sânscrito e em russo para formar as palavras “sapathik” em sânscrito e “sputnik” em russo. Ambas as línguas têm o mesmo significado lógico para suas palavras: “pessoa que vem pelo mesmo caminho” 3. Tenho que agradecer ao povo soviético pela escolha de palavra tão internacional e universal.

Quando vim para Moscou, a empregada do meu hotel deu-me a chave do quarto n.° 234 e disse: “Dwesti tridtsat chetire” 4. Naquele momento não pude decidir se eu estava de pé diante de uma senhorita bonita em Moscou, ou na Benares ou na Ujjain de nosso período clássico mais de 2000 anos atrás. Em sânscrito, 234 é “Dwishat tridasha chatwari”. Pode, em algum lugar, existir relação mais próxima? É duvidoso que ainda existam duas línguas diversas que conservaram uma antiga herança e se assemelhem tanto na pronúncia até os dias de hoje. Tive a oportunidade de visitar a vila de Kachalov, cerca de 25 quilômetros de Moscou, e fui convidado para almoçar junto a uma família russa de agrônomos. A velha senhora apresentou-me um jovem casal, dizendo em russo: “On moy seen i ona moya snokha” 5. Como eu desejei fortemente que Panini, o grande gramático hindu que viveu cerca de 2600 anos atrás, pudesse estar junto de mim e ouvisse a língua de seu próprio tempo, tão admiravelmente conservada com todas as suas nuanças possíveis nesta parte do mundo. A palavra russa “seen” 6 é “son” em inglês e “sooni” em sânscrito. Também a palavra “madiy” do sânscrito pode ser comparada a “moy” 7 do russo e a “my” da língua inglesa. Mas somente em russo e em sânscrito o pronome possessivo “moy” e “madiy” deve transformar-se em “moya” e “madiya”, pois trata-se da palavra “snokha”, que é feminina. A palavra russa “snokha” é “snukha” em sânscrito e pode ser pronunciada da mesma forma. As relações entre o filho e a esposa do filho definem-se por palavras similares em ambas as línguas.

Perfeitamente correto

Eis outra frase russa: “Tot vash dom, etot nash dom” 8. Em sânscrito ela fica: “Tat vas dham, etat nas dham”. “Tot” e “tat” são pronomes demonstrativos, singulares em ambas as línguas e que mostram o objeto da distância. É sempre o mesmo princípio em russo e em sânscrito. “Dham” em sânscrito é “dom” em russo, possivelmente porque o “h” aspirado não existe em russo.

As línguas modernas do grupo indo-europeu, como o inglês, o francês, o alemão e até mesmo o hindi, que provém diretamente do sânscrito, devem usar a palavra “ser” na referida frase, sem a qual ela não pode existir como proposição correta em todas essas línguas. Somente a língua russa e o sânscrito estão perfeitamente corretos gramaticalmente e também idiomaticamente sem “ser” na referida frase. A própria palavra “ser” 9 se parece muito à russa “est” e à sanscrítica “asti”, ou ainda “estestvo” em russo e “astitva” em sânscrito, ambas significando “existência” 10. Isso deixa claro que não somente a sintaxe e a ordem das palavras são semelhantes, mas a própria plenitude de expressão e o espírito foram conservados em ambas as línguas em uma forma original sem modificações.

Permitam-me dar, no fim do artigo, uma regra simples e muito útil da gramática de Panini para mostrar o quão profundamente ela é aplicável para a formação de palavras no russo. Panini mostrou de que maneira seis pronomes transformam-se em advérbios de tempo pela simples adição de “-da”. Atualmente, a língua russa tem apenas três das seis palavras do sânscrito de Panini, mas elas seguem a mesma regra de 2600 anos para receberem seus advérbios de tempo. Ei-las:

Pronomes

Significados

kim

quem

tat

esse

sarva

todo

Advérbios:

Sânscrito

Russo

Significado

kada

kogda

quando

tada

togda

então

sada

vsegda

sempre

A letra “g”, nas palavras russas, usualmente é usada para mostrar a união, em um todo, de coisas que existem separadamente. Nenhuma língua indiana ou européia mostra essa capacidade de conservar o antigo sistema de nossas línguas, apenas o russo o faz. Já é tempo de fortalecer a investigação de ambos os ramos, importantíssimos, da família indo-européia, e alguns capítulos fechados da história antiga do mundo devem ser abertos para o bem de todos os povos.

Notas do tradutor esperantista:
1 Mais precisamente “путь”, que significa “caminho”. [Para maior comodidade e fidelidade, optei por substituir as transcrições de palavras russas na grafia esperantista pela sua forma original em cirílico (N. do T. português).]
2 Conforme a gramática russa, esta palavra significa “pequeno caminho”, “caminhozinho”, mas ela nunca é usada.
3 Em esperanto, “samvojano”. [Esta palavra, em português, não tem uma tradução exata, podendo ser toscamente transliterada por "companheiro de jornada" (N. do T. português).]
4 Mais precisamente “двести тридцать четыре”.
5 Mais precisamente “Он мой сын и она моя сноха”, que significa “Ele é meu filho e ela é minha nora”.
6 Filho.
7 Meu.
8 “Aquela é a vossa casa [ou "Aquela é a casa de vocês" (N. do T. português)], esta é a nossa casa”.
9 No original inglês, “is”.
10 A palavra russa “estestvo” significa “essência”, “natureza”.


Mantra: Tradução

21/Novembro/2007

Bom, eu sei que eu não sou um blogueiro diligente e minhas postagens são confusas e dispersas no tempo. Ainda assim eu quero traduzir um mantra¹, passo a passo.

O Mantra é esse:

mantra
—Brhadaranyaka Upanishad, 1.3.28
Você pode, ainda, ouvir/ver o mantra por aqui!

Primeiramente, às cegas, sem saber a tradução de uma única palavra, precisamos desfazer os casos de samdhi. Para que desfazer os samdhis? Para descobrir:

1- onde começa um vocábulo e termina outro. Sem saber a fronteira entre as palavras não se pode ir ao dicionário. No nosso caso está fácil, pois os vocábulos já estão separados.

2- para sabermos em que caso de declinação estão as palavras, afim de descobrir a relação sintática entre os termos.

Então, os samdhis são:

as+m → o

t/d + g → d

as + m → o

s/r + g → r

s/r + m → r

m + g → m (anusvara, o “m com o pontinho em cima” )

Assim, a frase “pré-samdhi” seria:

“asatas maa sat gamaya
tamasas maa jyotis gamaya
mrtior maa amrtam gamaya”

Ótimo, temos o mantra, precisamos traduzir. Em primeiro lugar convém verificar a repetição do termo “gamaya”, no final de todas as frases. Gamaya é uma forma verbal no imperativo. Trata-se do imperativo do verbo “ir” (GAM, sansr.) e pode ser traduzido como “conduza!”.

A primeira sentença existem dois termos semelhantes: asatas e sat³. São antônimos. Como no grego (e no português, pela influência que o grego execeu sobre o latim) uma das regras de formação de antônimos é a utilização do morfema prefixal “a-“. Sat= ser, existência, Asat= não-ser. O mesmo ocorre com os termos “mrtyor” e “amrtam”.

O resto do vocabulário é o seguinte:

maa: me, pronome
tamas: trevas
jyotis: estrela, claridade, brilho
mrtyu: morte
amrta: imortal

Como fazemos para descobrir em que caso está cada um dos termos? Primeiramente procuramos a palavra no dicionário. Lá constará se o termo é um substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, etc. Além disso constará no dicionário a terminação do vocábulo. Sabendo o gênero (masculino, feminino ou neutro) e a terminação do vocábulo, pega-se uma tabela de declinações para descobrir se a palavra está no nominativo (isto é, é o sujeito da sentença), acusativo (tende a ser objeto), locativo (local ou momento em que a cena ocorre), etc.

Tendo feito todo este processo (desfazer samdhis, descobrir os casos, gênero e significados das palavras) pode-se, finalmente, traduzir a frase.

A tradução do mantra é a seguinte:

“Conduza-me do não-ser ao ser
Conduza-me das trevas à luz
Conduza-me da morte à imortalidade”

——

¹ Aos que curtem MATRIX fica a dica: esse mantra é entoado em um dos filmes! (Honestamente não sei em qual, cinema nunca foi a minha praia)

³ Só é possível perceber a semelhança fonética entre os termos depois de desfazer o samdhi. Com o samdhi os termos asato e sad não são tão semelhantes assim…


Casos do Sânscrito

12/Novembro/2007

O Sânscrito, língua irmã do Grego e do Latim, possui 8 casos.

São eles: nominativo, acusativo, instrumental, dativo, ablativo, genitivo, locativo e vocativo.

Esquema das funções fundamentais do nome na frase verbal:

(cópia resumida da lista enviada pela profª Lilian Gulmini) 

a) agente (empreendedor da ação verbal).
Índices formais:
desinências de nominativo em construção ativa;
desinências verbais em construção ativa;
desinências de instrumental em construção passiva.
b) ato (complemento da ação verbal comandada pelo agente).
Índices formais:
desinências de acusativo em construção ativa;
desinências de nominativo em construção passiva.
c) instrumento (instrumento ou meio usado pelo agente para a consecução do
processo verbal).
Índices formais:
desinências de instrumental em construção ativa.

d) dação (complemento do ato regido pela raiz DÄ, “dar”).
Índices formais:
desinências de dativo e genitivo em construção ativa ou passiva.

e) ablação (ponto fixo do qual o agente se afasta – ou faz o ato afastar-se).
Índices formais:
desinências de ablativo em construção ativa ou passiva.
f) locação (suporte espácio-temporal da ação verbal comandada pelo agente).
Índices formais:
desinências de locativo e acusativo em construção ativa ou passiva.

g) contingência (causa ou motivo que condicionam o desencadeamento da ação
verbal).
Índices formais:
desinências de ablativo em construção ativa ou passiva;
desinências de instrumental em construção ativa ou passiva.

h) concomitância (agente auxiliar ou simultâneo).
Índices formais:
desinências de instrumental em construção ativa.

i) conexão (complemento possessivo do nome).
Índices formais:
desinências de genitivo em construção ativa ou passiva.
j) vocação (interpelação ao agente).
Índices formais:
desinências de vocativo em construção ativa.


Sânscrito – Samdhi Consonantal

10/Novembro/2007

Segue um inventário dos samdhis consonantais que ocorrem em Sânscrito.

Tive preguiça de repassar a tabela no Word ou equivalente, por isso escaneei e coloco aqui. Vocês vão notar alguns pequenos erros (paciência, hehehe) além de algumas anotações pessoais.

De qualquer forma, interessados em aprender conseguem esta tabela facilmente na Internet.

Samdhi Consonantal

(Clique na imagem para vê-la no tamanho original)

Abraços, Thiago.


Sânscrito – “Encontros vocálicos”

2/Novembro/2007

Este semestre a USP será especialmente divertida para mim! Além de estar cursando apenas uma matéria de Litaratura (o que diminui sensivelmente o tempo gasto em leituras que nem sempre têm me agradado) estou fazendo algumas optativas bacanas.

 

Uma delas é o SÂNSCRITO I, que – juntamente com Norueguês – farão meu semestre mais feliz. Pretendo começar este blogue falando um pouquinho curso de Sânscrito oferecido pela USP:

 

A USP é, e não sei de onde tirei essa informação, uma das 19 Universidades do mundo que ainda têm de maneira mais ou menos sistemática o ensino do Sânscrito em sua grade. (Essa informação exclui as universidades da Índia e, se bem me lembro, ouvi isso quando cursava História, lá pelo ano de 2002) É evidente que o curso de Sâncrito (que na USP é dividido em 6 semestres) não é matéria obrigatória aos estudantes de letras ou lingüística.

 

Segundo a profª. de Sânscrito (Lilian Gulmini), a cada dez anos um aluno chega ao final do curso. Isso deve ser uma bela verdade: na minha sala somos 26 no curso de sânscrito I, no sânscrito II são (oficialmente) dois alunos matriculados. Menos de 10% de permanência…

 

Imagino que eu farei parte dos 90% que não continuam os estudos. No meu caso especificamente porque terei de fazer as matérias obrigatórias de literatura (que são ministradas no mesmo horário do curso de sânscrito)

 

Voltando ao curso: até agora (4 ou 5 aulas) ensinou-se basicamente regras de samdhi, que são regras eufônicas (escolha harmoniosa dos sons).

 

A palavra sânscrito é um participio passado e significa, grosso modo, “feito com cuidado, bem feito”, diferencia-se, portanto, do falar do povo humilde (prácrito – “feito às pressas”). As regras eufônicas revelam então um cuidado por parte de uma camada da sociedade para evitar sons considerados desagradáveis para a cultura deles.

 

As regras de eufonia (samdhis) podiam ocorrer dentro de uma palavra ou quando essa palavra se encontrava com outra, durante a fala;

 

Um exemplo de samdhi interno é ocorre no nome do deus Ganesh(a) que é formado a partir dos radicais “gana” (multidão, exército) e “isha” (o senhor). Sem aplicarmos a regra de samdhi, o nome do deus seria “Gana-isha”, a união de “a” com “i” forma, entretanto, o som de “e” e por isso temos “Ganesh(a)”. Essas regras se aplicam tanto às uniões entre vogais quanto às uniões entre consoantes. Tanto dentro de uma mesma palavra quanto quando uma palavra se une à seguinte durante a fala. Para traduzir do sânscrito para o português temos então que, antes de tudo, “recortar” as frases onde as palavras provavelmente se juntam para, depois, procurarmos no dicionário cada palavra da forma que ela era antes da aplicação da regra de samdhi.

 

Então para traduzir algo simples como “ekausadhi” você precisa compreender onde termina e começa cada palavra da frase e desfazer as regras de samdhi para procurar cada palavra no dicionário: “ekausadhi” sem as regras ficaria “eka osadhi”

 

Só assim você encontrará, no dicionário, os verbetes eka: um/uma e osadhi: planta medicinal

 

Pensando bem, às vezes parece razoável o número de desistências. =)

 

Segue uma tabela com os samdhis vocálicos:

 

samdhivocalico.JPG

 

¹ a vogal inicial se elide, marcando-se a elisão com um “
² a vogal inicial permanece e mantém-se um hiato secundário
³ os dois pontos indicam vogal longa, o “r” é retroflexo (r caipira) e era entendido pelos falantes de sânscrito como vogal

 

Como podemos verificar no quadro acima, a união do a final de “Gana” com o i inicial de “isha” gera um “e”, portanto temos Ganesh. Da mesma forma, quando unimos o numeral eka com o substantivo osadhi, formamos por eufonia ekausadhi.

 

Amanhã coloco mais frases em sânscrito e a tabela dos samdhis consonânticos.