Morfologia do Esperanto

Pessoal,

Segue meu trabalho final de morfologia.

Esperanto

Uma análise morfológica preliminar

Trabalho apresentado ao Prof. Dr. Paulo Chagas de Souza, como avaliação final do Curso de Morfologia.

I. INTRODUÇÃO

“Embora por alguns traços procure se afastar do modelo indo-europeu, também o Esperanto se apóia fundamentalmente nele, quer do ponto de vista lexical, quer sintaticamente.”

Umberto Eco

Este trabalho busca analisar brevemente a morfologia do Esperanto. O primeiro problema para nossa análise, do ponto de vista lingüístico, é o fato de comumente se acreditar que o Esperanto, por ser um idioma artificial, não possui falantes nativos. A ausência de falantes nativos dificulta – se não impossibilita – a análise do idioma. Isto se deve ao fato de não podermos dizer se determinada formação (seja ela fonológica, morfológica ou sintática) é ou não agramatical na língua estudada.

O site Ethnolongue, entretanto, estima dois milhões de falantes do Esperanto como segunda língua, além de uma população nativa cujas estimativas variam de duzentos a dois mil falantes. Seja qual for o número exato de pessoas que têm o Esperanto como língua materna, a existência de falantes nativos por si só garante à língua o direito de ser objeto de estudos lingüísticos.

O Esperanto é a única língua artificial que, no momento, obteve alguma espécie de sucesso. A principal característica que o distinguia das outras línguas artificiais era, para o criador do Esperanto, sua pobreza lexical. De acordo com Margarida Basílio “a razão fundamental para formarmos palavras é que seria muito difícil para nossa memória – além de pouco prático – captar e guardar formas diferentes para cada necessidade que temos de usar palavras em contextos e situações diversos.” (BASÍLIO, 2007: 12).

Ora, se alguém se propõe à tarefa de criar uma língua artificial – ainda que inspirado em características de um ou vários idiomas naturais – na busca de construir um idioma o mais acessível e simples possível, é de se esperar que esta pessoa tenha algumas precauções, mesmo que intuitivas. Uma delas é diminuir a quantidade de lexemas arbitrários, evitando que o futuro aprendiz invista grande quantidade de tempo memorizando vocabulário. O empobrecimento das raízes lexicais, no Esperanto, veio acompanhado de uma morfologia que busca ser suficientemente rica para compensar a redução de seu léxico. É precisamente este o ponto que justifica a escolha do Esperanto como objeto de nossa análise morfológica.

II. ANÁLISE

Aspectos da morfologia verbal:

As flexões verbais em Esperanto não marcam número e pessoa. Esta peculiaridade distancia o Esperanto dos idiomas indo-europeus[1] que foram a fonte inspiradora do idioma artificial.

Dados:

1

La patro amas siajn filojn.

La

patro

am-

-as

sia-

-j-

-n

filo-

-j-

-n

ART.DEF

PAI

AMAR

PRES.

PRON. REFL.

PL.

AC.

FILHO

PL.

AC.

O pai ama seus (próprios) filhos

2

Oni ne devus fari tion.

Oni

ne

dev-

-us

far-

-i

tio-

-n

PRON. IND.

NEG

DEVER

COND.

FAZER

INF.

PRON. DEM

AC.

A gente não deveria fazer isso.

3

La knaboj ludis tage

La

knabo-

-j

lud-

-is

tage

ART. DEF.

CRIANÇA

PL.

BRINCAR

PASS.

DE TARDE

AS crianças brincaram de tarde

4

Mi studos poste

Mi

stud-

-os

poste

1º SG

ESTUDAR

FUT.

DEPOIS

Eu estudarei depois

5

Vi iru kun lia frato!

Vi

ir-

-u

kun

lia

frato!

2º SG

IR

IMP.

COM

2º SG PRON POSS.

IRMÃO

Vá (você) com o irmão dele!

6

Ili mislernis la lecionon

Ili

mis-

-lern-

-is

la

leciono-

-n

3º PL

ERRADO

APRENDER

PASSADO

ART. DEF

LIÇÃO

AC.

Eles aprenderam errado a lição

7

Ili refaros ĝin

Ili

re-

-far-

-os

ĝi-

-n

3º PL

NOVAMENTE

FAZER

FUT.

PRON.

AC.

Eles a refarão!

8

La homo dronis

La

homo

dron

is

ART. DEF

HOMEM

AFOGAR

PASSADO

O homem afogou

9

Iu dronigis la homon

Iu

dron

ig

is

la

homo

n

PRON. INDEF.

AFOGAR

CAUSATIVO

PASS.

ART.DEF.

HOMEM

AC.

Alguém afogou o homem

Os morfemas flexionais de tempo e modo aparecem em negrito entre as frases 1 e 5:

· -i, para o infinitivo.
· -as, para o presente.
· -is, para o passado.
· -os, para o futuro.
· -us, para o condicional.
· -u, para o imperativo.

Os morfemas derivacionais que aparecem nos exemplos podem ser de dois tipos:

1. Prefixos com valor semântico (frases 6 e 7):

· re-, indica repetição.

· mis-, indica erro.

2. Sufixo causativo (frase 9):

· -ig-, formador de verbos causativos.

Os morfemas analisados são derivacionais porque formam novos verbos. No caso dos morfemas prefixais, os verbos são formados pela necessidade de alteração do sema do verbo original. O morfema sufixal -ig- marca, morfologicamente, a diferença de diátese existente entre as frases 8 e 9. Noutras palavras, se o verbo é causativo, isto é, se o falante deseja evidenciar o causador da ação, o morfema -ig- é utilizado. Em Português a diferença entre verbos causativos e não-causativos não é marcada morfologicamente:

“Ele abriu a janela” (causativo)

“A janela abriu” (não-causativo)

Línguas como o japonês também marcam sistematicamente a diferença entre verbos causativos e não causativos.

No que diz respeito às relações que o verbo estabelece com os argumentos, a marcação morfológica desta relação pode aparecer:

1. Apenas no núcleo (head-marking)

2. Apenas no elemento dependente do verbo (dependent-marking)

3. No núcleo e no elemento dependente.

Em Português, a marcação ocorre no núcleo:

Os homens viram o menino. head-marking

Em Latim, a marcação ocorria tanto no núcleo (verbo) como nos elementos dependentes (argumentos):

Uiri puerum uiderunt head-marking & dependent-marking

Em Esperanto, a marcação morfológica aparece apenas nos argumentos, como ocorre em Japonês e Norueguês:

La viro vidas la knabon dependent-marking

Otoko-no hito-ga kotom-o mita dependent-marking

Da pobreza morfológica do verbo surge, ainda, a necessidade de marcação morfológica do nome ou pronome que é argumento do verbo. Isto é, o Esperanto não admite sujeito nulo posto que sua morfologia verbal não permite ao falante inferir o sujeito da oração, diferentemente do que ocorre em Português.

Aspectos da morfologia nominal:

Diferentemente da morfologia verbal, que busca ser pobre para facilitar a memorização, a morfologia nominal do Esperanto é significativamente rica. Esta afirmação, para um não-lingüista, poderia levar a crer que a riqueza morfológica pode significar um dificultador no momento de aprendizagem da língua. O que ocorre, aparentemente, é o inverso. Enquanto no aprendizado de uma língua natural o estudante deve enfrentar a arbitrariedade lexical do idioma, no idioma artificial o número de itens lexicais (e, portanto, arbitrários) é reduzido; as lacunas lexicais são preenchidas a partir de processos morfológicos

Dados:

10

La bopatro amas la gefiletojn

La

bo-

-patr-

-o-

amas

la

ART. DEF

RESULTADO DE CASAMENTO

PAI

SUBST.

AMA

ART.DEF.

ge-

-fil-

-et-

-o-

-j-

-n

UNIÃO DE DOIS SEXOS

FILHO

DIM.

SUBST.

PLURAL

AC.

O sogro ama os filhinhos (homens e mulheres)

11

Ni iros al malsanulejo

Ni

iros

al

mal-

-san-

-ul-

-ej-

-o

1º PL

ir-FUT.

para

NEG

SAÚDE

PESSOA

LUGAR

SUBST.

“Nós vamos para o hospital”

12

Hitler estis fihomo

Hitler

estis

fi-

-hom-

-Ø-

-o

Hitler

foi

MÁ QUALIDADE

HOMEM

MASC.

SUBSTANTIVO

Hitler foi um homem ruim

13

Bela virino havas hundegon

Bel

-a

vir-

-in-

-o

havas

hund-

-eg-

-o-

-n

BELEZA

ADJ.

HOMEM

FEM.

SUBST.

TEM

CACHORRO

AUMENT.

SUBST.

AC.

Uma bela mulher tem um cachorro grande

14

La malnova domaĉo falis

La

mal-

-nov-

-a

dom-

-aĉ-

-o

falis

ART.DEF.

NEG

NOVO

ADJ.

CASA

MÁ QUALIDADE

SUBST.

CAIU

O velho casebre caiu

15

Kiu faligis la malnovajn domaĉojn?

Kiu

faligis

la

mal-

-nov-

-a-

-j-

-n

PRON. INT.

DERRUBOU

ART.DEF.

NEG

NOVO

ADJ.

PL.

AC.

dom

-aĉ-

-o-

-j-

-n

?

CASA

MÁ QUALIDADE

SUBST.

PL

AC.

?

Quem derrubou os velhos casebres?

16

Mi amas vin frate

Mi

amas

vi-

-n

frat-

-e

1º SG

AMAR-PRES.

2º SG

AC.

IRMÃO

ADV.

Eu te amo fraternalmente

17

Mi reiros hejmen

Mi

reiros

hejm-

-e-

-n

1º SD

VOLTAREI

CASA

ADV.

AC.

Eu voltarei para casa

As frases de 10 a 17 evidenciam, em primeiro lugar, que a morfologia nominal do Esperanto é concatenativa. Apesar de palavras compostas por um grande número de morfemas poderem dar a impressão de que a língua possui infixos realizados na raiz lexical, uma analise cuidadosa demonstra tratar-se de uma concatenação de prefixos e sufixos.

Tomemos como exemplo a formação da palavra ‘hospital’:

negação

tema de saúde

pessoa

lugar

substantivo

tradução

san

o

saúde

san

ul

o

sujeito são

mal

san

ul

o

sujeito doente

mal

san

ul

ej

o

hospital

Os morfemas nominais podem ser flexionais ou derivacionais.

Os morfemas flexionais se dividem em:

1. Morfema formador de plural (-j):

Ocorre em nomes e adjetivos, sempre um concordando com o outro. Os advérbios são invariáveis em relação a número.

2. Morfema de acusativo/locativo (-n):

Ocorre em nomes, adjetivos e advérbios de lugar, marcando morfologicamente o acusativo (no caso de nomes e adjetivos) e o locativo (no caso de advérbios de lugar.)

Os morfemas derivacionais foram divididos em dois grupos grupos:

1. Morfemas que distinguem classes de palavras:

· -o, forma substantivos

· -a, forma adjetivos

· -e, forma advérbios de modo e lugar

2. Morfemas que não distinguem classes de palavras:

a. Morfemas prefixais

Os morfemas prefixais derivam palavras gerando novos conceitos, dentre eles destacamos os prefixos:

· bo-, cria um lexema novo baseado em relações de casamento: patro, pai à bopatro, sogro.

· fi-, designa “de má qualidade” (apenas para substantivos [+ humanos])

· ge-, designa “união de dois sexos”: amiko, amigo à geamikoj, amigos e amigas

· mal-, formador de antônimos.

b. Morfemas sufixais:

Os morfemas sufixais também alteram as características semânticas dos vocábulos.

· -in, formador do feminino

· Ø, formador do masculino

· -et, diminutivo

· -eg aumentativo

· -ej cria o sentido de “lugar onde”

· -ul, torna o substantivo [+ humano]

· aĉ, cria o sentido de “de baixa qualidade” para substantivos com valor [-humano]

III. CONCLUSÃO

Esperamos ter demonstrado, neste trabalho, uma parte da morfologia verbal e nominal do Esperanto. Apesar de não esgotar o tema, buscamos averiguar os principais morfemas flexionais e derivacionais do Esperanto, analisando os mais importantes processos de formação de verbos, nomes, adjetivos e advérbios. Esperamos que, ao final do trabalho, fique mais visível ao leitor a influência – voluntária ou involuntária – exercida pelas línguas indo-européias na estrutura morfológica da língua. A influência de idiomas indo-europeus (principalmente no léxico), aliada à morfologia da língua certamente contribuiu para o relativo sucesso obtido por ela no último século.

Na página seguinte, anexamos um inventário dos morfemas analisados, este inventário possibilita verificar com mais clareza quais são os processos morfológicos envolvidos na formação de vocábulos verbais e não verbais. Possibilita, ainda, verificarmos a que classe pertence cada uma das palavras do Esperanto tendo em visa que a estrutura do inventário permite verificar formações agramaticais como *utilização de morfema de plural em verbos ou ainda *marcação de acusativo em advérbios de modo.

Morfemas analisados

IV. BIBLIOGRAFIA

BASÍLIO, M. Teoria Lexical, São Paulo, Ática, 2007.

BOOIJ, G. The Grammar of Words – An Introduction to Linguistic Morphology, Oxford Press, 2005.

ECO, U. A busca da língua perfeita, Bauru, Edusc, 2002.

FRANCINI, W. Esperanto sem antaŭjuĝoj, Rio de Janeiro, Cooperativa Cultural Esperantista, 1977.

HARTLEY, J. Aprenda sozinho Esperanto, São Paulo, Editora Pioneira,1967.

LORENZ, F.W. Esperanto sem mestre, São Paulo, FEB, 1988.

ROSA, M.C. Introdução à morfologia, São Paulo, Contexto.

http://www.ethnologue.com/show_language.asp?code=epo


[1] A exceção, entre as línguas indo-européias, fica por conta do Norueguês que também não faz marcações número-pessoais no verbo.

6 respostas para Morfologia do Esperanto

  1. ivan disse:

    Boris Kolker
    Vojagxo en Esperanto-lando.
    Perfektiga kurso de Esperanto kaj Gvidlibro pri la Esperanta kulturo

    LECIONO 1

    – Karaj membroj de nia klubo “Esperanto-lando”! Hodiaux ni renkontigxas unuafoje en la nova jaro. Laux la decido de la kluba estraro, niaj kunvenoj cxi-jare okazos en merkredoj: unu kunveno estos dedicxata al prelegoj, konatigxo kun la Esperanto-literaturo kaj lingva praktiko, la sekva — al alispecaj arangxoj, kaj tiel plu.

    – Hodiaux ni konatigxos kun la historio de la apero de Esperanto. Ludoviko Zmenhof priskribis gxin en ruslingva letero al Nikolao Borovko [1], kiu, versxajne, estis verkita por la Moskva eldonejo “Posrednik”. La Esperanta traduko, kiun faris Vladimiro Gernet [2] (kaj kiun redaktis Ludoviko Zamenhof mem), estis publikigita en la jaro 1896, kvankam gxi estis verkita du jarojn pli frue. En la jaro 1902 Ludoviko Zamenhof faris aron da korektoj, kiuj estas enkondukitaj en la suban tekston.

    Ludoviko Zamenhof

    KIEL NASKIGxIS ESPERANTO

    La ideo, al kies efektivigo mi dedicxis mian tutan vivon, aperis cxe mi en la plej frua infaneco kaj neniam min forlasadis.

    Mi naskigxis en Bjelostoko [3]. En Bjelostoko la logxantaro konsistas el kvar diversaj elementoj: rusoj, poloj, germanoj kaj hebreoj [4]; cxiu el tiuj cxi elementoj parolas apartan lingvon kaj neamike rilatas la aliajn elementojn. En tiu urbo pli ol ie la impresema [5] naturo sentas la multepezan malfelicxon de diverslingveco kaj konvinkigxas cxe cxiu pasxo, ke diverseco de lingvoj estas la cxefa kauxzo, kiu disigas la homan familion.

    Iom post iom mi konvinkigxis, ke ne cxio farigxas tiel facile, kiel prezentigxas al la infano; unu post la alia mi forjxetadis diversajn infanajn utopiojn, kaj nur la revon pri unu homa lingvo mi neniam povis forjxeti. Suficxe frue cxe mi formigxis la konscio, ke la sola lingvo povas esti nur ia neuxtrala, apartenanta al neniu el la nun vivantaj nacioj. Kaj mi komencis malklare revi pri nova, arta lingvo.

    Germanan kaj francan lingvojn mi ellernadis [6] en infaneco. Sed kiam mi komencis ellernadi [6] lingvon anglan, la simpleco de la angla gramatiko jxetigxis en miajn okulojn, precipe dank’ al la kruta transiro al gxi de la gramatikoj latina kaj greka. Mi rimarkis tiam, ke la ricxeco de gramatikaj formoj estas nur blinda historia okazo, sed ne estas necesa por la lingvo. Sub tia influo mi komencis sercxi en la lingvo kaj forjxetadi la senbezonajn formojn, kaj mi rimarkis, ke la gramatiko cxiam pli kaj pli degelas en miaj manoj, kaj baldaux mi venis al la gramatiko plej malgranda, kiu okupis sen malutilo por la lingvo ne pli ol kelkajn pagxojn. Sed la grandegulaj [7] vortaroj cxiam ankoraux ne lasadis min trankvila.

    Unu fojon, mi okaze turnis la atenton al la surskribo “Sxvejcarskaja” (pordistejo) kaj poste al la elpendajxo “Konditorskaja” (sukerajxejo) [8]. Tiu cxi “skaja” ekinteresis min kaj montris al mi, ke la sufiksoj donas la eblon el unu vorto fari aliajn vortojn, kiujn oni ne devas aparte ellernadi [6]. Tiu cxi penso ekposedis min tute, kaj mi subite eksentis la teron sub la piedoj. Sur la terurajn grandegulajn [7] vortarojn falis radio de lumo, kaj ili komencis rapide malgrandigxadi antaux miaj okuloj.

    Mi komencis komparadi vortojn, sercxadi inter ili konstantajn, difinitajn rilatojn kaj cxiutage mi forjxetadis el la vortaro novan grandegan serion da vortoj, anstatauxigante tiun cxi grandegon per unu sufikso, kiu signifas certan rilaton. Baldaux post tio mi jam havis skribitan [9] la tutan gramatikon kaj malgrandan vortaron. Mi rimarkis, ke la nunaj lingvoj posedas grandegan provizon da pretaj jam vortoj internaciaj, kiuj estas konataj al cxiuj popoloj kaj faras trezoron por estonta lingvo internacia, — kaj mi kompreneble utiligis tiun cxi trezoron.

    En la jaro 1878 la lingvo estis jam pli-malpli preta, kvankam inter la tiama “lingwe uniwersala” kaj la nuna Esperanto estis ankoraux granda diferenco. Mi komunikis pri gxi al miaj kolegoj (mi estis tiam en la 8-a klaso de la gimnazio). La plimulto da [10] ili estis forlogitaj de la ideo kaj de la frapinta ilin neordinara facileco de la lingvo, kaj komencis gxin ellernadi [6]. La 5-an de decembro 1878 ni cxiuj kune festis la ekvivigon de la lingvo [11].

    Tiel finigxis la unua periodo de la lingvo. Mi estis tiam tro juna por eliri publike kun mia laboro, kaj mi decidis atendi ankoraux 5-6 jarojn kaj dum tiu cxi tempo zorgeme elprovi la lingvon kaj plene prilabori gxin praktike. Mi multe tradukadis en mian lingvon, skribis en gxi verkojn originalajn, kaj vastaj provoj montris al mi, ke tio, kio sxajnis al mi tute preta teorie, estas ankoraux ne preta praktike. Mi komencis evitadi lauxvortajn tradukojn el tiu aux alia lingvo kaj penis rekte pensi en la lingvo neuxtrala. Poste mi rimarkis, ke la lingvo ricevas sian propran spiriton, sian propran vivon, la propran difinitan kaj klare esprimitan fizionomion, ne dependantan jam de iaj influoj. La parolo fluis jam mem, flekseble, gracie kaj tute libere, kiel la viva patra lingvo.

    Mi finis la universitaton kaj komencis mian medicinan praktikon. Mi pretigis la manuskripton de mia unua brosxuro kaj komencis sercxadi eldonanton. Sed tie cxi mi renkontis la financan demandon, kun kiu mi poste ankoraux multe devis kaj devas forte batali. Fine, post longaj klopodoj, mi prosperis mem eldoni mian unuan brosxuron en julio de la jaro 1887.

    Mi estis tre ekscitita antaux tio cxi; mi sentis, ke mi staras antaux Rubikono [12] kaj ke de la tago, kiam aperos mia brosxuro, mi jam ne havos la eblon reiri; mi sciis, kia sorto atendas kuraciston, kiu dependas de la publiko, se tiu cxi publiko vidas en li fantaziulon, homon, kiu sin okupas je “flankaj aferoj”; mi sentis, ke mi metas sur la karton la tutan estontan trankvilecon kaj ekzistadon mian kaj de mia familio; sed mi ne povis forlasi la ideon, kiu eniris mian korpon kaj sangon, kaj … mi transiris Rubikonon [12].

    Ludovikologiaj biografietoj
    (Plena verkaro de L.L. Zamenhof, kromkajero 3). —
    Kioto, 1987, p. 1-9. Mallongigita.

  2. ivan disse:

    Thiago, sugiro a voce entrar no site ou em contato com BORIS KOLKER, pois ele possui algumas liçoes a respeito do Esperanto bem precisas tal como Lorenz.
    Se quiser, posso mandar para voce. Mas como fica essa questao de direitos autorais?
    Eu posso enviar algum texto, citando o autor, isso basta? Responda por favor, pois, se for assim, entao ha artigos que poderiam elucidar melhor o assunto no seu site.
    Um abraço,
    Ivan.
    PS: o problema dos acentos continua, mas vou resolve-los.

    Resposta:
    Ivan,

    Mande sim, tudo o que você tiver e achar interessante, por e-mail!
    O meu é: senzok@gmail.com
    Obrigado!

    thiago

  3. seorienterapaz disse:

    Aos eventuais pobres-coitados que se interessarem, rediscuti brevemente minha análise do sistema morfológico verbal do esperanto neste link;
    Lá deve ficar mais claro o que eu quis dizer com “no que diz respeito à morfologia verbal, eu poderia ter demonstrado com mais qualidade o quanto o esperanto se aproxima das línguas indo-européias no que diz respeito à utilização do sistema “nominativo-acusativo” (fazendo dependent-marking no acusativo, ao passo que o português faz head-marking no nominativo). A aproximação que eu fiz entre o sistema verbal do esperanto e do japonês faz parecer que o sistema é menos indo-europeu do que realmente é.”

  4. Tyrannosaurus disse:

    Quanto ao locativo, a regra 13 (das famosas 16 regras) diz que “a direção do movimento pode ser indicada pela terminação n”. De fato, a situação não é mencionada como um caso de declinação à parte (locativo), mas simplesmente como sendo mais um uso do -n.

    Resposta:

    Tyrannosaurus
    Obrigado pelo comentário e pelo link para as “famosas 16 regras” do esperanto!
    Parece não ser mesmo um locativo o {-n} em advérbios de lugar. Se fosse, seria possível dizer “Hejmen ni dormas” (“Em casa, nós dormimos”) mas a tradução correta deveria ser a (impossível) “Para casa, nós dormimos”. Tem mesmo a ver com uma regra de “movimento em direção a”. Relembrando de um curso que eu fiz quando tinha 17 anos, no Centro Cultural, eu peguei a seguinte anotação de frases:

    1.La kato saltas sur la tablo (O gato salta sobre a mesa)
    2.La kato saltas sur la tablon (O gato salta para sobre a mesa)

    Portanto, na frase “1” temos um gato (já sobre a mesa) e saltando sobre ela. Na “2” temos um gato em algum lugar (um sofá, por exemplo) e o gato salta do sofá “para cima da mesa”.
    Isto é: O morfema {-n} que, ligado a advérbios de lugar eu havia interpretado como “locativo” na verdade parece indicar, de fato, “movimento para”.
    De qualquer maneira temos, no morfema {-n}, duas possíveis caracteristicas: ou “acusativo” ou “movimento para”, este fato me faz parecer que a língua é menos “lógica” do que alguns esperantistas querem fazer crer que seja!

    Um abraço,
    Thiago

  5. Thiago Gastaldello disse:

    Concordo com o comentário do colega acima e admito ainda alguns outros erros:

    -na frase “5”, lia é um pronome possessivo masculino de 3º pessoa do singular, não de segunda.
    – os morfemas sufixais em “2 b” não terminam palavra e portanto deveriam ser marcados {-ej-}, {-et-}, {-in-} e não {-ej}, {-et}, {-in} como eu fiz.
    -o prefixo {mal-} não é exatamente um prefixo de negação, como eu informo na tabela sobre a construção da palavra “hospital”.
    -talvez seja complicado admitir que o morfema {-n} marca, em advérbios de lugar, o locativo. A gramatica esperantista não prevê este caso.
    -no que diz respeito à morfologia verbal, eu poderia ter demonstrado com mais qualidade o quanto o esperanto se aproxima das línguas indo-européias no que diz respeito à utilização do sistema “nominativo-acusativo” (fazendo dependent-marking no acusativo, ao passo que o português faz head-marking no nominativo). A aproximação que eu fiz entre o sistema verbal do esperanto e do japonês faz parecer que o sistema é menos indo-europeu do que realmente é.

    Finalmente, quanto a tradução de “la homo dronis”, traduzi sem o “falso” pronome reflexivo para evidenciar que o verbo “dronis” é “não causativo” e o verbo “dronigis” é “causativo”. Ou seja: “O homem afogou(-se)” x “Alguém fez o homem afogarEsta distinção fica ainda mais evidente em “la domo falis” versus “iu faligis la domon” (“a casa caiu” versus “alguém derrubou a casa”, i.e., “alguém fez cair a casa”.)

    Existem, certamente, mais erros.

  6. Muito bom… gostaria porém de fazer algumas observações:

    tage = de dia

    a frase “la homo dronis” seria melhor traduzida por “o homem afogou-se / se afogou”

    o prefixo “fi-” pode designar má qualidade, também no sentido moral, por exemplo: figazeto = pasquim, filibro, fidomo, fiinsekto
    ao passo que o prefixo “-aĉ” designa baixa qualidade física: gazetaĉo = é um jornal cujo material é de baixa qualidade
    (figazeto refere-se ao conteúdo)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: